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MTBF e MTTR: os dois indicadores com que toda gestão deve começar

8 min de leitura
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Existe uma tentação na gestão de manutenção de pular direto para indicadores elaborados — OEE, custo por hora de produção, valor acumulado de backlog. Esses indicadores são úteis, mas nenhum deles faz sentido sem a base: MTBF e MTTR. Se sua operação não mede nada hoje, é aqui que começa.

MTBF — Mean Time Between Failures

O MTBF (tempo médio entre falhas) responde a pergunta: "quanto tempo, em média, esse equipamento opera antes de falhar?". É um indicador de confiabilidade.

Fórmula

MTBF = Tempo total de operação ÷ Número de falhas

Exemplo prático:

  • A Bomba B-102 operou 8.400 horas no ano (24h/dia × 350 dias de disponibilidade).
  • No mesmo período, falhou 4 vezes.
  • MTBF = 8.400 ÷ 4 = 2.100 horas — ou seja, em média a bomba roda ~87 dias sem falhar.

Quanto maior o MTBF, mais confiável o equipamento. Comparar MTBF no tempo (ano a ano) revela se as ações de manutenção estão melhorando a confiabilidade — ou não.

MTTR — Mean Time To Repair

O MTTR (tempo médio para reparo) responde "quando falha, quanto tempo leva para voltar a operar?". É indicador de eficiência da equipe e do processo.

Fórmula

MTTR = Tempo total de reparo ÷ Número de reparos

Exemplo:

  • As 4 falhas da Bomba B-102 consumiram, somadas, 20 horas de reparo efetivo.
  • MTTR = 20 ÷ 4 = 5 horas — em média, cada intervenção leva 5 horas.

Quanto menor o MTTR, mais ágil é a equipe. MTTR alto indica falta de peças no almoxarifado, procedimento ruim, treinamento insuficiente ou diagnóstico lento.

Disponibilidade — o número que vai para a direção

A partir de MTBF e MTTR, deriva-se a disponibilidade — a métrica que a liderança executiva geralmente quer ver:

Disponibilidade = MTBF ÷ (MTBF + MTTR)

No exemplo: 2.100 ÷ (2.100 + 5) = 99,76%. Essa é a fração do tempo em que a bomba está disponível para operar. É essa porcentagem que sustenta compromissos de produção e SLA com o cliente.

Armadilhas comuns

Como sempre, o diabo mora nos detalhes. Três erros frequentes:

1. O que conta como "falha"?

Se a definição de falha não está padronizada, o MTBF vira ficção. Exemplos ambíguos: parada para manutenção preventiva programada conta? Parada porque acabou insumo conta? Redução de desempenho sem quebra total conta? A norma ISO 14224 define critérios; a equipe precisa acordar os seus antes de qualquer coleta.

2. Média esconde variância

MTBF médio de 2.100 horas pode significar "uma falha a cada 87 dias" ou "4 falhas em 40 dias seguidos e depois 325 dias tranquilos". Os dois cenários pedem ações diferentes. Sempre acompanhe MTBF junto com a distribuição de intervalos entre falhas, não só a média.

3. MTTR "de bancada" ≠ MTTR real

Existe ambiguidade crítica: tempo de reparo é apenas o tempo de mão na ferramenta? Ou inclui tempo de espera por peça, liberação de LOTO, transporte? A primeira métrica ajuda a avaliar a equipe; a segunda, o processo inteiro. Ambas importam — mas precisam ser medidas separadamente, não misturadas.

Por onde começar se você não coleta nada hoje

  1. Defina o que é "falha" e "reparo" — documento de uma página, assinado pela liderança de manutenção, operação e qualidade.
  2. Instrumente a coleta na ordem de serviço: data/hora de início de falha, de início de reparo, de fim de reparo. Três timestamps, nada mais complicado que isso no começo.
  3. Calcule mensalmente para os 10-20 equipamentos mais críticos — antes de tentar calcular para 2.000 ativos.
  4. Publique os números. Indicador invisível não muda comportamento.

No Prevfy Core

A plataforma calcula MTBF, MTTR e disponibilidade automaticamente a partir dos timestamps de OS fechadas — sem ninguém ter que montar planilha. Os indicadores ficam disponíveis em dashboards nativos, por ativo, por planta e consolidados.

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